29 de janeiro de 2026

A intervenção cidadã na identificação das árvores monumentais em Portugal

Nos últimos anos associações e movimentos cívicos têm contribuído para o inventário, mapeamento e proteção de árvores monumentais em Portugal. 

Projeto Gigantes Verdes, da responsabilidade da Verde, que surgiu inicialmente em Lousada e que se tem expandido gradualmente para vários municípios, tem vindo a ter uma intervenção importante nesta área. Uma das suas vertentes é a formação de voluntários para, em iniciativas de ciência cidadã, a identificação e mapeamento de árvores monumentais. Resultados deste projeto podem ser consultados no mapa Gigantes Verdes.

No distrito de Santarém, o movimento cívico Folhas Erguidas, em colaboração com associações como a 30 POR 1 LINHA ou a Ágora, tem inventariado e mapeado árvores de grande porte e realizado  pedidos de classificação de interesse público, de carvalhos, sobreiros e azinheiras, localizados junto a estradas nacionais.  O caso mais emblemático é o túnel arbóreo  da Senhora da Luz, na EN114, onde se destacam 16 árvores com perímetros à altura do peito superiores a 2,5 m – 9 carvalhos  e 7 sobreiros, que aguardam há mais de um ano a classificação como árvores de interesse público pelo ICNF, e a declaração de interesse concelhio por parte do munícipio de Rio Maior. Significativa, também no distrito de Santarém, é a ausência de respostas por parte do ICNF e da CM de Santarém aos pedidos de classificação da azinheira monumental de Outeiro de Alfazema,  na EN362.

Os interessados em conhecer a localização do arvoredo de interesse público em Portugal podem aceder ao geocatalogo do ICNF.

22 de janeiro de 2026

As árvores - o bode expiatório da segurança rodoviária

De acordo com o Canal Alentejo, a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal “enviou logo no início do seu mandato dois ofícios ao presidente da Infraestruturas de Portugal, solicitando intervenções urgentes para reforçar a segurança nas estradas nacionais que atravessam o concelho”, alertando para algumas situações a corrigir, entre outras o risco de queda de árvores na  EN5-2, Alcácer do Sal–Torrão.

Foto de Canal Alentejo

Ainda segundo o artigo citado, pouco tempo após o envio dos ofícios, a IP iniciou o corte das árvores que representariam maior risco.

O alerta autárquico justificar-se-á, pois as árvores das bermas das estradas exigem vigilância e manutenção de forma a garantir a segurança de pessoas e bens, tarefas que raramente são realizadas.

Não cremos, contudo, que as árvores constituam o principal fator de risco nas estradas; o seu abate surge antes como uma medida de grande visibilidade, adotada sobretudo por implicar custos muito inferiores aos da necessária manutenção e conservação das vias.

Apesar de não termos dados estatísticos para o comprovar, é provável que o aumento da sinistralidade rodoviária nas estradas de Alcácer do Sal se deva principalmente ao volume de tráfego, ao estado das vias e ao comportamento inadequado por parte dos condutores, como o excesso de velocidade e o desrespeito das regras de condução.

Segundo o relatório de sinistralidade rodoviária de 2024, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, dos 38.037 acidentes verificados, 53,6% corresponderam a colisões e 41,5% a despistes, registando-se um total de 477 vítimas mortais, 2.756 feridos graves.

Perante estes valores de sinistralidade, seria importante que, quer as autarquias, quer a Infraestruturas de Portugal, adotassem medidas relacionadas com o estado de conservação das vias, de forma a responder ao aumento do tráfego rodoviário, e assumissem, de modo sério e proativo, a realização de campanhas de prevenção da sinistralidade rodoviária.

A prevenção rodoviária não se faz apenas com abate de árvores.

14 de janeiro de 2026

2026 começou mal para a região de Sintra

Foi notícia recente em diversos meios de comunicação social a contestação aos abates de plátanos em Galamares, na berma da EN 247, levados a cabo pela Infraestruturas de Portugal. Moradores e associações locais mobilizaram-se para tentar pôr cobro a estes abates e uma Providência Cautelar terá sido apresentada.

Imagem: Associação Finis Terrae 
Como se não chegasse já o prejuízo causado pelo corte dos plátanos, a Câmara Municipal de Sintra aproveitou a ocasião para também “limpar a vegetação em torno do Elétrico de Sintra”…

Estas e outas notícias em AS ÁRVORES DAS BERMAS DAS ESTRADAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

7 de janeiro de 2026

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XV

Perto de Brotas, em Mora, ao quilómetro 490 da estrada EN 2, há um grande sobreiro (Quercus suber), que se destaca pelo porte, (PAP 4,28 m e PB 3,78 m), e arquitetura da copa. Verifica-se que apesar da sua idade avançada, esta árvore ainda se encontra em produção, tendo tido a última extração de cortiça em 2021, conforme indica o número pintado no tronco.

Reconhecendo-se a importância de combater o hábito recorrente de abandonar lixo nas bermas das estradas, regista-se o mau gosto da colocação de um contentor do lixo debaixo deste grande sobreiro, parece-nos que esta solução, embora funcional, desvaloriza o enquadramento natural e paisagístico deste sobreiro, cuja beleza e singularidade ficam comprometidas.