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29 de janeiro de 2026

A intervenção cidadã na identificação das árvores monumentais em Portugal

Nos últimos anos associações e movimentos cívicos têm contribuído para o inventário, mapeamento e proteção de árvores monumentais em Portugal. 

Projeto Gigantes Verdes, da responsabilidade da Verde, que surgiu inicialmente em Lousada e que se tem expandido gradualmente para vários municípios, tem vindo a ter uma intervenção importante nesta área. Uma das suas vertentes é a formação de voluntários para, em iniciativas de ciência cidadã, a identificação e mapeamento de árvores monumentais. Resultados deste projeto podem ser consultados no mapa Gigantes Verdes.

No distrito de Santarém, o movimento cívico Folhas Erguidas, em colaboração com associações como a 30 POR 1 LINHA ou a Ágora, tem inventariado e mapeado árvores de grande porte e realizado  pedidos de classificação de interesse público, de carvalhos, sobreiros e azinheiras, localizados junto a estradas nacionais.  O caso mais emblemático é o túnel arbóreo  da Senhora da Luz, na EN114, onde se destacam 16 árvores com perímetros à altura do peito superiores a 2,5 m – 9 carvalhos  e 7 sobreiros, que aguardam há mais de um ano a classificação como árvores de interesse público pelo ICNF, e a declaração de interesse concelhio por parte do munícipio de Rio Maior. Significativa, também no distrito de Santarém, é a ausência de respostas por parte do ICNF e da CM de Santarém aos pedidos de classificação da azinheira monumental de Outeiro de Alfazema,  na EN362.

Os interessados em conhecer a localização do arvoredo de interesse público em Portugal podem aceder ao geocatalogo do ICNF.

12 de junho de 2025

Proteção dos carvalhos autóctones

Foi lançada recentemente uma petição online à Assembleia da República para a criação de legislação que assegure a proteção dos carvalhos autóctones portugueses.

 Petição - Lei de proteção dos carvalhos autóctones Ler e assinar aqui

                           Texto integral da petição

A petição propõe:

  • “O reconhecimento legal da importância ecológica e biogeográfica dos carvalhos autóctones, com destaque para o carvalho-cerquinho (Quercus faginea), o carvalho-negral (Quercus pyrenaica), o carvalho-galego (Quercus orocantabrica) e o carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis);
  • A criação de critérios técnicos claros para a sua proteção, conservação e restauro;
  • A implementação de mecanismos de compensação, incentivo e apoio à conservação em propriedades privadas e públicas;
  • A valorização do arvoredo isolado e das florestas climácicas com importância ecológica, genética e patrimonial.

Importa destacar que, além da lacuna legal na proteção dos carvalhos autóctones, existem insuficiências na informação do Inventário Florestal Nacional. Na sua ultima edição, IFN6, desatualizada, publicada em 2015, não existe distinção entre as espécies dos três principais carvalhos de folha caduca, Quercus faginea, Quercus pyrenaica e Quercus robur (espécie entretanto reclassificada como Quercus orocantabrica). Como se poderá gerir de forma adequada povoamentos e habitats associados a estas espécies, tanto do ponto de vista da produção florestal como da conservação, sem informação atualizada?

A situação do carvalho de Monchique, Quercus canariensis, outra espécie de carvalho autóctone, é ainda mais grave, a “distribuição em Portugal é restrita à serra de Monchique e sua área adjacente. É avaliada na categoria Criticamente Em Perigo porque se infere o declínio continuado do tamanho da população nacional, a qual se estima em menos de 250 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação.”(flora-on.pt) 

Ainda relativamente à informação disponível no IFN6, verifica se que, em 2015 existiam 81 700 hectares de área florestal com carvalhos, num total de 3 224 200 hectares, 2,5 % da área florestal portuguesa. Ou seja, é uma área praticamente residual, sujeita a diversos tipos de ameaças, como demostram alguns exemplos recentes - Condeixa-a-Nova  para a construção de um  parque fotovoltaico ou - Rio Maior com a intenção de abate de carvalhos monumentais.

Importa ter dados mais precisos da atual distribuição dos carvalhais portugueses, para avaliar se há tendências de declínio ou de recuperação e analisar as opções, (incluindo a criação de proteção legal), mais adequadas na tomada de decisão na gestão destes povoamentos e habitats de elevado valor ecológico.

Para mais informação sobre os carvalhos portugueses:

https://www.researchgate.net/publication/365368257_New_annotated_checklist_of_the_Portuguese_oaks_Quercus_Fagaceae?_tp=eyJjb250ZXh0Ijp7InBhZ2UiOiJwcm9maWxlIiwicHJldmlvdXNQYWdlIjoicHVibGljYXRpb24iLCJwb3NpdGlvbiI6InBhZ2VDb250ZW50In19

https://www.researchgate.net/publication/361503906_Old-Growth_Quercus_faginea_in_Portugal

11 de outubro de 2024

Direito à informação (3)

Na sequência da queixa apresentada à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos por violação do direito à informação, direito previsto no Código do Procedimento Administrativo e na Lei de Acesso aos Documentos Administrativos, por parte do ICNF, por não responder aos inúmeros pedidos de informação que Folhas Erguidas enviou, relativos a intervenções da Infraestruturas de Portugal em árvores de bermas de estradas, a CADA emitiu o seguinte parecer:


Sem qualquer surpresa, após referência à legislação aplicada, o parecer conclui o óbvio: "... deverá ser facultada a documentação solicitada ou prestada informação aos requerentes sobre a sua inexistência."

Três meses passados sobre a emissão deste parecer, o ICNF continua mudo e quedo. 

Perguntamo-nos o que levará esta instituição do estado, leia-se os seus dirigentes, a desrespeitar impunemente a lei; o que estará em causa para que limitem assim os direitos dos cidadãos, dificultando a sua intervenção em questões de ambiente

5 de janeiro de 2024

Corte de azinheiras em Rede Natura 2000 em Alvaiázere

A associação ambientalista Milvoz denunciou o corte de várias centenas de azinheiras em área classificada como Rede Natura 2000 no concelho de Alvaiázere (Leiria), estando a Câmara a averiguar se foi cometida alguma ilegalidade.

“Estamos a falar de várias centenas, desde azinheiras de porte arbustivo a azinheiras já de porte consideravelmente arbóreo”, afirmou hoje à agência Lusa o vice-presidente da Milvoz – Associação de Proteção e Conservação da Natureza, Manuel Malva.

Segundo Manuel Malva, trata-se, “certamente, de várias centenas, até porque a intervenção decorre ao longo de alguns quilómetros, na estrada que liga Pelmá a Loureira”.

...

Fonte da GNR acrescentou à Lusa que foi rececionada no dia 29 de dezembro de 2023 a denúncia, que está a ser analisada pelo Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial de Pombal.

Ler o artigo

11 de dezembro de 2023

Direito de acesso à informação - requerimentos ao ICNF, IP e SEI

Entre os dias 30 de outubro e 3 de novembro, invocando o direito à informação, consignado na lei,  Folhas Erguidas enviou requerimentos aos Diretor Regional do ICNF - LVT, Diretor Regional da IP e Secretário de Estado das Infraestruturas, de forma a ter acesso aos pareceres técnicos que supostamente suportaram  a intervenção desastrosa da IP no arvoredo da EN 114. 

 Ultrapassado o prazo estabelecido pela lei sem que tenha havido resposta, no início de dezembro, foram reiterados os pedidos anteriormente feitos. 

Enquanto se aguarda que estas instituições públicas resolvam cumprir a lei, disponibilizam-se aos interessados os requerimentos enviados:

Requerimentos enviados ao Diretor Regional do ICNF - LVT

Requerimento enviado ao Diretor Regional da IP

Requerimento enviado ao Secretário de Estado das Infraestruturas

19 de outubro de 2023

Diário de Notícias - Rio Maior. Ação popular tenta travar abate de árvores por alegadas razões de segurança

Em Rio Maior, as árvores não morrem de pé. Ou não é essa a vontade da IP (Infrastruturas de Portugal) que desde há vários meses já terá abatido mais de 400 árvores, e se prepara para continuar essa "operação limpeza" nas bermas da EN 114, invocando "razões de de segurança rodoviária". Continuar a ler