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15 de abril de 2025

Abate de olaias em Tomar

Trabalhos de requalificação urbana em duas ruas na cidade de Tomar preveem o abate de várias olaias (Cercis siliquastrum) adultas. Estas árvores fazem parte da identidade paisagística destas ruas. Devido a sua localização conferem um espetáculo de cor, em tons que variam do carmim ao rosado e ao violáceo, aquando da floração na Primavera, emoldurando, do outro lado do rio, o castelo de Tomar. Apesar de não ser nativa do nosso pais, a olaia, é uma espécie bem adaptada à região de Tomar onde, por exemplo, tolera a secura no Verão e o teor calcário dos solos.
Foto de Joaquim Cotovio


À data da sua publicação, esta "Proposta de regulamento" apresentava aspetos importantes no que respeitava a medidas de salvaguarda dos espaços verdes municipais, assim como a possibilidade da classificação de arvoredo de interesse público municipal, mas que atualmente fica muito aquém do previsto para um Regulamento de Gestão de Arvoredo Urbano, levando à persistência de algumas de algumas lacunas na gestão do património arbóreo do concelho, de que são exemplos a inexistência de:
-Lista com a localização das árvores classificadas de interesse público e de interesse municipal;
-Inventário municipal do arvoredo em meio urbano;
-Divulgação do inventário municipal do arvoredo em meio urbano permitindo que os cidadãos coloquem questões e denunciem ocorrências relativamente aos exemplares arbóreos;
-Divulgação da informação sobre intervenções a realizar, comunicadas com a antecedência mínima de 10 dias úteis;

Ainda relativamente ao abate de árvores urbanas, o Guia de Boas Práticas para a Gestão do Arvoredo Urbano estabelece que:
“O abate pode ocorrer, mediante fundamentação técnica, quando as árvores em causa:
a) constituam risco para pessoas, animais ou bens, a integridade física e a segurança;
b) afetem a mobilidade ou as vias de circulação e não existam alternativas viáveis à sua manutenção;
c) apresentem baixa vitalidade / decrepitude ou fraca condição fitossanitária, havendo vantagens na sua substituição por exemplares mais adequados às condições edafoclimáticas e de espaço existentes, de acordo com avaliação realizada mediante aplicação do sistema de valorização de árvores adotado pela entidade gestora. 
Qualquer abate deve ser fundamentado e documentado acerca das condicionantes que justificam e enquadram a necessidade da remoção da árvore, devendo seguir os critérios estipulados nos pontos anteriores. Os abates são executados após autorização da entidade gestora, que também determinará a adoção de medidas compensatórias a implementar.” Ora, no caso das olaias de Tomar, não foi divulgada qualquer documentação que justifique o abate destas olaias.

Está a circular uma petição dirigida ao município de Tomar a pedir a suspensão do abate destas árvores, assim como mais informação sobre estas obras de requalificação – assinar a petição aqui.

8 de março de 2024

O carvalho-cerquinho em Tomar

O carvalho-cerquinho em Tomar  foi apresentado na V Conferência Ibérica Sobre a Bolota e resulta da necessidade de sensibilizar a sociedade para a importância ecológica dos carvalhos e carvalhais autóctones.
O vídeo foi produzido por 30POR1LINHA, uma associação que se tem destacado na divulgação e proteção destas árvores.

13 de janeiro de 2024

Algumas histórias sobre os grandes carvalhos-cerquinhos em Portugal

 Um grupo de amigos entusiastas dos carvalhos em Portugal, em especial do carvalho-cerquinho (Quercus faginea Lam) tem nos últimos anos procurado conhecer melhor esta espécie, assim, como identificar onde estão localizados os maiores carvalhos e quais as suas histórias. O objetivo é contribuir para a proteção, preservação e valorização social dos carvalhos cerquinhos centenários e singulares em Portugal.

Carvalhos de Tomar identificados no artigo da revista Lucanus: Carvalho da Pedreira (A); Carvalho do Pintado na EN110 (B); Carvalho “Jorge Paiva” no jardim da Biblioteca de Tomar (C); Carvalho do Pinhal de Santa Barbara em Tomar (D); Carvalho de Santa Barbara (E); Carvalho de Carregueiros na EN113 (F)

Foram publicados até ao momento dois trabalhos sobre os carvalhos-cerquinhos com alguns dos resultados dessas pesquisas. O primeiro em português, foi publicado em 2020 na revista Lucanus, editada pelo município de Lousada, e tem como título “Carvalhos-Cerquinhos de grande porte dos Concelhos da Batalha e de Tomar como embaixadores dos bosques de Quercus faginea Lam. (Cercais) na Zona Centro de Portugal”.

Este artigo surgiu da necessidade de resumir e apresentar alguns dos resultados do trabalho de inventariação desenvolvido nos municípios da Batalha e Tomar, os primeiros locais, onde foi iniciada esta pesquisa.  

Foram identificados cerca de 12 carvalhos no município da Batalha e 6 carvalhos no município de Tomar com um porte superior a 2,5 metros de perímetro à altura do peito (PAP). 

Desta lista, por iniciativa da associação 30POR1LINHA, já foram classificados três carvalhos no município de Tomar como árvores de interesse público. O carvalho da Pedreira na margem do rio Nabão, o carvalho “Jorge Paiva” no jardim da biblioteca de Tomar e o carvalho de Carregueiros na EN113.

O artigo é de acesso livre e encontra-se disponível na seguinte ligação:

https://www.researchgate.net/publication/346447337_Carvalhos-Cerquinhos_de_grande_porte_dos_Concelhos_da_Batalha_e_de_Tomar_como_embaixadores_dos_bosques_de_Quercus_faginea_Lam_Cercais_na_Zona_Centro_de_Portugal

Da necessidade de divulgar internacionalmente os resultados obtidos em Tomar e na Batalha, em 2022 foi publicado em inglês um outro artigo intitulado “Old Growth Quercus faginea in Portugal”. O artigo surgiu na revista International Oaks nº 33 editada pela International Oak Society (IOS), uma organização com membros de todo o mundo, cuja missão é o aprofundamento do estudo, a gestão sustentável, preservação, valorização e disseminação do conhecimento do género Quercus e ecossistemas associados.

Além dos municípios da Batalha e Tomar, neste trabalho é incluído o município de Alcobaça, assim como algumas notas sobre a presença desta espécie de carvalho no Alentejo. 

Neste trabalho, destacam-se por exemplo, o carvalho do “Padre Zé”, na Batalha, provavelmente o maior carvalho-cerquinho existente em Portugal, com uma história notável de sobrevivência no período da 2ª Guerra Mundial. 

 

Carvalho do padre Zé localizado no Reguengo do Fetal (Batalha)

Também o carvalho “Jorge Paiva”, em Tomar, merece destaque, já que para além do seu tamanho imponente, homenageia um distinto botânico português.

 

 Carvalho Jorge Paiva localizado no jardim da biblioteca de Tomar classificado de interesse público

Uma nota de destaque para o bosque de carvalho-cerquinho na Mata Nacional do Vimeiro em Alcobaça, onde Joaquim Vieira Natividade em 1929, realizou a sua tese para obtenção do grau de engenheiro florestal.  Ainda em evidência, é apresentado um mapa de distribuição potencial da espécie em Portugal, ou seja, um mapa que delimita as zonas ótimas de solo e clima onde a espécie tem condições adequadas de crescimento e formar habitats. Este mapa baseia-se nos trabalhos de investigação sobre os carvalhos na Península Ibérica, desenvolvidos nos últimos anos por Carlos Vila-Viçosa, botânico português que nos últimos anos tem dedicado a sua carreira à investigação do género Quercus em Portugal. 

O artigo é de acesso livre e encontra-se disponível na seguinte ligação:

https://www.researchgate.net/publication/361503906_OldGrowth_Quercus_faginea_in_Portugal

A procura e descoberta destes grandes carvalhos-cerquinhos centenários e singulares e das suas histórias continua. Muitos mais carvalhos existem, alguns mais ou menos conhecidos, outros mais anónimos, sobretudo nos municípios do Centro Oeste português.  Já foram identificados mais exemplares de grande porte nos concelhos de Alcanena, Alvaiazere, Ansião, Ferreira do Zêzere, Leiria, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior e Torres Novas, todos com atributos de serem classificados de interesse público e que poderão ser consultados em : https://www.monumentaltrees.com/en/prt-quercusfaginea/

Mais recentemente, os holofotes viram se para Rio Maior, onde os carvalhos e sobreiros, que constituem o túnel arbóreo na estrada nacional (EN) 114 junto à localidade da Senhora da Luz, se encontram ameaçados para abate, por ordem na empresa publica Infraestruturas de Portugal (IP).

As razões para a ordem de abate não foram devidamente justificadas publicamente pela IP. Num troço de cerca de 2000 metros entre os quilómetros 42 e 43, o arvoredo existente na berma da estrada é constituído maioritariamente pelo carvalho-cerquinho e sobreiro, sendo um conjunto de inegável valor ecológico, estético e paisagístico. 

 

O túnel arbóreo da Senhora da Luz localiza-se entre o km 42 e 43 da EN114

Algumas destas árvores são de grande porte e centenárias. O abate indiscriminado destas árvores sem a devida justificação técnica será uma perda irreparável. Pois “não se plantam árvores com cem anos”.

Entretanto, o caso do túnel arbóreo da Senhora da Luz da EN 114 já teve repercussão internacional com uma publicação na página web da International Oak Society (IOS), intitulado Ancient Oaks Need Safeguarding in Portugal disponivel em:

https://www.internationaloaksociety.org/content/ancient-oaks-need-safeguarding-portugal

Para conhecer melhor este o património arbóreo do túnel da Senhora da Luz e para uma perspetiva mais correta da monumentalidade destas árvores, foi realizado um levantamento de alguns dados dendrométricos de cerca de 41 carvalhos e sobreiros. Assim, relativamente aos dados de perímetro de peito (PAP) e de perímetro de base (PB), dos 31 carvalhos medidos, foram identificados 9 carvalhos com atributos para serem classificados como de interesse público pelo critério do porte, isto é, 29 % do conjunto amostrado.

 

Túnel arbóreo constituído por carvalhos e sobreiros na EN114 no concelho de Rio Maior 

Além do valor ecológico e paisagístico, este arvoredo ao longo dos anos tem sequestrado dezenas de toneladas de dióxido de carbono, sendo que a preservação destas árvores de grande porte, é uma medida que contribuirá numa escala local para a mitigação das alterações climáticas.

A divulgação publica e pressão sobre as entidades competentes neste caso do túnel arbóreo da Senhora da Luz em Rio Maior é uma esperança para a salvaguarda deste património, que chegou até aos dias de hoje como resquício de uma floresta nativa secular que praticamente desapareceu do nosso território.

9 de dezembro de 2023

Carvalhos-cerquinhos de grande porte dos concelhos da Batalha e de Tomar como embaixadores...


Os carvalhos-cerquinhos centenários e de grande porte são relíquias dos cercais de Quercus faginea, que no passado ocuparam uma área considerável do Centro-Oeste Calcário Português, uma região que espelha a transição climática entre a influência atlântica e a mediterrânica. Estas árvores desempenham um importante papel na conservação da biodiversidade, constituindo microhabitats, que são essenciais para o ciclo de vida de um elevado número de espécies interligadas entre si numa complexa teia de relações ecológicas. Nos últimos séculos, alterações significativas do uso do solo levaram ao desaparecimento significativo destes cercais, tendo restado pequenas manchas residuais e alguns indivíduos dispersos e isolados. Continuar a ler