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21 de março de 2026

Tempestade Kristin derrubou carvalhos monumentais na EN114 na Senhora da Luz

A tempestade Kristin que afetou Portugal no passado dia 28 de janeiro, para além das perdas de vidas e de bens que causou, foi também responsável pela destruição de milhares, ou mesmo de milhõesde árvores, embora não exista demonstração clara da obtenção destes valores. 

O Túnel Arbóreo da Sra. da Luz não ficou imune aos estragos causados pelos ventos ciclónicos, três dos seus maiores carvalhos caíram, dois deles junto à placa de entrada de Senhora da Luz. Porventura devido ao abrigo providenciado pelas encostas envolventes da estrada, a grande maioria das árvores que constituem o túnel resistiu incólume.

Os carvalhos tombaram para o terreno adjacente à estrada sem causar qualquer perturbação para a circulação ou estrago na faixa de rodagem. Curiosamente as árvores que caíram na faixa de rodagem foram sobretudo eucaliptos do povoamento que ladeia a estrada. 

É lamentável a perda destas árvores monumentais, mas, felizmente, o seu legado genético perdura. No inverno de 2023/24 foram recolhidas bolotas destes carvalhos, que foram germinadas e posteriormente, em Novembro de 2024, plantadas na escola de Manique do Intendente, no concelho da Azambuja. Atualmente encontram-se vivas e com bom vigor vegetativo cerca de quatro dezenas de carvalhitos.

22 de janeiro de 2026

As árvores - o bode expiatório da segurança rodoviária

De acordo com o Canal Alentejo, a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal “enviou logo no início do seu mandato dois ofícios ao presidente da Infraestruturas de Portugal, solicitando intervenções urgentes para reforçar a segurança nas estradas nacionais que atravessam o concelho”, alertando para algumas situações a corrigir, entre outras o risco de queda de árvores na  EN5-2, Alcácer do Sal–Torrão.

Foto de Canal Alentejo

Ainda segundo o artigo citado, pouco tempo após o envio dos ofícios, a IP iniciou o corte das árvores que representariam maior risco.

O alerta autárquico justificar-se-á, pois as árvores das bermas das estradas exigem vigilância e manutenção de forma a garantir a segurança de pessoas e bens, tarefas que raramente são realizadas.

Não cremos, contudo, que as árvores constituam o principal fator de risco nas estradas; o seu abate surge antes como uma medida de grande visibilidade, adotada sobretudo por implicar custos muito inferiores aos da necessária manutenção e conservação das vias.

Apesar de não termos dados estatísticos para o comprovar, é provável que o aumento da sinistralidade rodoviária nas estradas de Alcácer do Sal se deva principalmente ao volume de tráfego, ao estado das vias e ao comportamento inadequado por parte dos condutores, como o excesso de velocidade e o desrespeito das regras de condução.

Segundo o relatório de sinistralidade rodoviária de 2024, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, dos 38.037 acidentes verificados, 53,6% corresponderam a colisões e 41,5% a despistes, registando-se um total de 477 vítimas mortais, 2.756 feridos graves.

Perante estes valores de sinistralidade, seria importante que, quer as autarquias, quer a Infraestruturas de Portugal, adotassem medidas relacionadas com o estado de conservação das vias, de forma a responder ao aumento do tráfego rodoviário, e assumissem, de modo sério e proativo, a realização de campanhas de prevenção da sinistralidade rodoviária.

A prevenção rodoviária não se faz apenas com abate de árvores.

7 de janeiro de 2026

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XV

Perto de Brotas, em Mora, ao quilómetro 490 da estrada EN 2, há um grande sobreiro (Quercus suber), que se destaca pelo porte, (PAP 4,28 m e PB 3,78 m), e arquitetura da copa. Verifica-se que apesar da sua idade avançada, esta árvore ainda se encontra em produção, tendo tido a última extração de cortiça em 2021, conforme indica o número pintado no tronco.

Reconhecendo-se a importância de combater o hábito recorrente de abandonar lixo nas bermas das estradas, regista-se o mau gosto da colocação de um contentor do lixo debaixo deste grande sobreiro, parece-nos que esta solução, embora funcional, desvaloriza o enquadramento natural e paisagístico deste sobreiro, cuja beleza e singularidade ficam comprometidas.
 

19 de dezembro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XIV

 Ao quilómetro 96 da EN 118, no concelho da Chamusca, destacam-se dois eucaliptos monumentais, um com 6 m e o outro com 7, 6 m de PAP, (perímetro à altura do peito, a 1,3 m). Estas grandes árvores abrigam mais de uma dezena de ninhos de cegonha-branca, funcionando como autênticos blocos residenciais para a espécie.


De acordo com o Regulamento de Gestão do Arvoredo do Município da Chamusca - anexo 1, um desses indivíduos, da espécie Eucaliptus camaldulensis, está classificado como Árvore de Interesse Público desde 1997. Dado a Base de Dados do Arvoredo de Interesse Público, da responsabilidade do ICNF, não se encontrar acessível, é impossível determinar qual o exemplar classificado com base na escassa informação disponível.

Atendendo ao valor patrimonial destas árvores, ambas deveriam ter o estatuto de interesse público e ser alvo de monitorizações regulares do seu estado biomecânico e sanitário, assim como de vigilância dos ninhos, de modo a minimizar eventuais riscos para a segurança rodoviária, associados à presença de árvores e ninhos na berma da estrada.

5 de outubro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (IX)

Mais uma árvore de porte considerável na área de descanso de São Pedro da Gafanhoeira, na EN4, no município de Arraiolos. Um pinheiro-de-Alepo (Pinus halepensis) com 2,60 m de PAP, (perímetro altura peito, a 1,30 m de altura), e  3,25 de perímetro de base, em setembro de 2025.

A espécie Pinus halepensis é uma espécie exótica do território português, originária da bacia do Mediterrâneo, bem adaptada a algumas das nossas características de solo e clima. Foi uma das espécies que, num documento de 1947, a Junta Autónoma das Estradas referenciava como útil para as arborizações nas estradas nacionais – “árvore de crescimento médio cujo principal interesse reside na sua excecional adaptação ao calcário e resistência ao calor e secura”.

2 de setembro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (VI)

Cerqueiro localizado ao quilómetro 170 da  EN114, no concelho de Montemor-o-Novo, apresenta, em agosto de 2025, perímetros, de 2,53 metros à altura peito (PAP), e, de 3,06 metros ao nível do chão (PB). Tem uma altura estimada entre os 13 a 15 metros. Esta árvore que foi alvo de uma poda de manutenção, algures entre 2021 e 2022, é um exemplar bastante vigoroso com uma copa frondosa.

Carvalho-cerqueiro (Quercus x avellaniformis)

O cerqueiro, ou carvalho-cerqueiro, Quercus x avellaniformis, é um híbrido natural resultante do cruzamento entre o Quercus rotundifolia, a azinheira, e o Quercus suber, o sobreiro. Estes híbridos naturais ocorrem normalmente em áreas de sobreposição da distribuição de sobreiros e azinheiras. Em Portugal, o Alentejo é a região onde ocorrem com maior frequência, sendo aí conhecido, também, como azinheira-macha. Em Espanha, onde também ocorre, é chamado de mesto. A espécie foi identificada no século XIX, em 1854, por Colmeiro & E. Boutelou.

Esta árvore foi uma das amostradas num estudo de análise molecular, sobre a deteção destes híbridos em Portugal. Apesar da sua natureza híbrida, é uma espécie fértil, produzindo bolota regularmente, como foi o caso no último outono. 

6 de agosto de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (V)

Localizado na área de descanso da EN4, ao km 95, no município de Arraiolos, este  pinheiro-manso (Pinus pinea) tem um perímetro à altura peito (a 1,30 m de altura) de 4,15 metros e um perímetro de base de 3,80 metros.

É uma árvores de grande porte, das maiores desta área de descanso bastante arborizada e sombreada, onde se encontram, também, outras espécies como sobreiros (Quercus suber), azinheiras (Q. rotundifolia), alfarrobeiras (Ceratonia siliqua), medronheiros (Arbutus unedo) e pinheiros de Alepo (Pinus halepensis).

Desconhecendo a idade exata deste pinheiro, acreditamos que a plantação do conjunto arbóreo em que se insere deverá ter ocorrido na sequência da publicação do Plano Rodoviário Nacional em 1945, como resultado dos trabalhos de arborização das bermas das estradas nacionais que a Junta Autónoma de Estradas então realizava, e continuou a realizar ao longo do século XX.

15 de julho de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (IV)

Destacamos o Lódão-bastardo (Celtis australis), localizado no km 213 do IP 2, junto à ponte que atravessa a ribeira da Ana Loura, perto da localidade de Veiros, no município de Estremoz.

Um bom exemplo de frescura, na berma do IP2,
  na canícula alentejana de Julho.

Com um perímetro de base (PB) de 3,76 metros, uma altura estimada de 6 metros e com ramificação de 4 grandes troncos principais, é uma árvore com um porte considerável.

Desconhecemos se este espécime é espontâneo, uma vez que se trata de uma espécie nativa no território português suspeitamos que possa ter sido plantada algures no século XX, visto existir um outro C. australis, com porte semelhante, do outro lado da ponte,  sugerindo intencionalidade na disposição de ambas as árvores, e não serem observados mais exemplares desta espécie nas imediações.

O lódão é uma espécie bem adaptada às condições adversas das cidades, resistindo bem à poluição e tolerando diferentes tipos de solo.


20 de junho de 2025

As grandes árvores das nossas estradas (III)

É um dos grandes carvalhos (Quercus faginea) constituintes do túnel arbóreo da Senhora da Luz, na EN114, em Rio Maior. Uma das árvores mais imponentes deste conjunto arbóreo.

O Carvalho-cerquinho da Senhora da Luz
Os seus parâmetros dendrométricos aquando da última medição em 2023 eram:

  • PAP, perímetro altura peito,  (a 1,30 m de altura) -  3,30 metros 

  • PB, perímetro de base  - 3,70 metros 

  • Altura estimada  superior a 10 metros

Com base nestes atributos de porte, foi solicitado ao ICNF, em janeiro de 2024, o reconhecimento legal como árvore de interesse público, por possuir parâmetros de monumentalidade para ser classificado e protegido.

Foi, também em 2024, solicitado ao município de Rio Maior a classificação municipal de 16 das árvores do túnel arbóreo, com perímetros à altura do peito superiores a 2,5 m – 9 carvalhos (Q. faginea) e 7 sobreiros (Q. suber), onde naturalmente se inclui também este belo exemplar.

Relativamente a ambos os pedidos, tanto ao ICNF, como ao município de Rio Maior, continua-se a aguardar as decisões destas duas entidades. 

2 de junho de 2025

As grandes árvores das nossas estradas (II)

Era o último sobrevivente de um conjunto de três carvalhos de grande porte que fizeram parte da paisagem e da identidade da estrada e da localidade do Pintado.

Localizado  na berma da EN 110, no Pintado, município de Tomar, tinha um períme- tro na base e à altura do peito de 2,70 m e uma altura estimada de 10 metros. 

Em 2020 a associação 30 por Uma Linha apresentou ao ICNF um pedido para a sua  classificação como árvore de interesse público, tendo como  base o seu  porte e significado paisagístico, conforme os critérios estabelecidos  pela lei, pedido que foi em 2021 indeferido.

Apesar de, aquando da última visita, em 2024, apresentar um bom vigor vegetativo, alguém entendeu que essa árvore estava a mais e, provavelmente, no início de 2025, foi abatida. Sobreviveu, ainda, quase mais vinte anos que os outros carvalhos vizinhos…

Um a um, por isto ou por aquilo, os grandes carvalhos vão gradualmente desaparecendo das bermas das nossas estradas.

"E os carvalhos seculares, como as grandes joias de arquitetura que mãos piedosas de artistas carinhosamente ergueram, pertencem ao passado. Se desaparecerem jamais se substituem, incompatíveis, como são, com o caminhar vertiginoso da hora presente."                                                                                                      Joaquim Vieira Natividade   1929

21 de maio de 2025

As grandes árvores das nossas estradas (I)

Vamos iniciar uma série de publicações sobre algumas árvores singulares localizadas nas bermas das estradas portuguesas que, de um modo ou outro, se destacam pela sua monumentalidade, interesse paisagístico ou outro.

https://www.monumentaltrees.com/db/177/full/177618.jpg

Carvalho-cerquinho na EN 4, km 64.

Localizado perto do lugar de Alto da Chaminé, no município de Vendas Novas. Tem um perímetro de 2,75 m, à altura de 1 metro, e de 2,8 m na base.

É uma árvore  isolada, de grande porte, localizada na berma da estrada nacional, do lado direito no sentido Vendas Novas – Montemor o Novo. 

É um exemplar de uma espécie autóctone emblemática da floresta portuguesa - o Quercus faginea, testemunho de uma, outrora, distribuição mais alargada, na atualidade destaca-se pela sua raridade na região.

6 de fevereiro de 2025

Abates na EN 243

A IP persiste na destruição do arvoredo das bermas das estradas, como se fossem sua propriedade. 

 
Com o  pretexto de "trabalhos de limpeza de combustível", na EN 243, entre a Chamusca e o Chouto, cerca de 20 árvores - choupos brancos, plátanos e pinheiros mansos, com dimensões consideráveis, foram abatidas com o argumento da prevenção de incêndios.

As canas ficaram, no entender da IP não são combustível...

2 de fevereiro de 2025

O presidente da IP no Parlamento

O Presidente do Conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal foi ouvido no passado dia 22 de janeiro,  na Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da Republica, sobre o abate de árvores e a venda da madeira. A gravação da audição está disponível no Canal Parlamento.

Como era de esperar, para a IP está tudo bem, "não há práticas desreguladas ou cortes abusivos", a empresa rege-se por princípios de sustentabilidade. 

Sem contraditório, o responsável máximo da IP fez as afirmações que entendeu, imprecisas ou de natureza duvidosa, assinalamos algumas:

- As árvores que acompanham os 14.000 km da rodovia sobre gestão da IP são individualmente identificadas, quanto ao estado e risco potencial, por equipas da IP (min. 14). Tarefa aparentemente hercúlea, não fosse o método rápido da IP, aplicado por exemplo na EN 362,  onde,  dois técnicos da IP, em apenas um dia  vistoriaram e avaliaram as árvores de um troço de 30 km de estrada, concluindo pela necessidade de cortar 120 árvores. Uma produtividade que nos faz questionar o seu rigor e fundamento técnico. (ver relatório de vistoria)

- Medidas de compensação - só nos últimos 2 anos plantaram mais que 5.000 árvores (min. 15). E quantas terão cortado? Qual o rácio ecologicamente aceitável para a substituição de uma árvore adulta? Plantam, e depois? Veja-se o caso da plantação na Sra. da Luz que fala por si, ou, da  EN 361, em Alcanena, onde o Estudo de Impacto Ambiental impôs a plantação de diversas áreas de espécies autóctones, que após a plantação ficaram votadas ao abandono.

- A mutilação azinheira monumental Outeiro de Alfazema. Diz o responsável que apenas se fez a poda de uma árvore para aumentar o gabari vertical (12.45 min.) Admitamos a ignorância: a altura a que se situavam os ramos não poderiam, nunca, interferir com o trânsito, o madeireiro que realizou o trabalho não tinha competência para o fazer e a IP não acautelou a qualidade da intervenção.

- A IP não vende a madeira resultante dos abates.  Não ganha dinheiro com ela, dá-o a ganhar aos operadores! (37min.)

Enquanto isto a IP continua impunemente a delapidação do nosso património arbóreo.

4 de outubro de 2024

Plantar árvores assim, para quê?

Com algum distanciamento temporal já é possível um pequeno balanço dos trabalhos de plantação realizados pela Infraestruturas de Portugal, no passado mês de abril, na berma da EN 114, entre os quilómetros 42 e 43, junto à Senhora da Luz, em Rio Maior.

No final do mês de Abril apercebemo-nos da plantação muito recente de cerca de 25 carvalhos cerquinhos (Q. faginea), preenchendo espaços vazios do Túnel Arbóreo da Sra. da Luz. Estas plantas de aproximadamente de 50 cm de altura,  localizavam-se em pequenas clareiras abertas na vegetação, a um distância da berma da estrada, entre os 2 e os 3,5 metros.

Dos carvalhos então plantados, são ainda visíveis, entre a erva, as silvas e o lixo, e apenas devido à rede plástica azul que rodeia seus pés, cerca de 14 plantas, ou seja, apenas cerca de 56% das árvores plantadas há 5 meses, a maioria já sem tutores. 

                            

A ideia de retomar a plantação de árvores nas bermas das estradas poderá ser louvável e bem intencionada, mas as boas intenções não são suficientes para garantir o sucesso de uma plantação de árvores. A plantação de árvores, sem a devida limpeza e preparação do terreno e sem manutenção nem rega,  em Abril, com os verões longos e sem chuva que normalmente ocorrem em Portugal Continental, é a garantia de uma elevada probabilidade de insucesso. A distância das jovens árvores à via e o compasso a que foram plantadas são contrários à argumentação que a IP tem usado repetidamente, como justificação para as suas intervenções que tantos estragos têm causado ao património arbóreo coletivo – proximidade da berma da estrada e interferência com “gabarito rodoviário vertical”.

Investir recursos na produção de plantas em viveiro, no seu transporte e plantação, nestas condições,  é revelador de má gestão de recursos públicos e de grande incapacidade técnica por parte de uma instituição que tem invocado a sua competência para decidir o corte de milhares de árvores ao longo das estradas do país.

Perguntamo-nos qual seria a expectativa dos técnicos da IP que planearam esta plantação? Que taxa de sucesso esperavam?

Esta plantação, que poderia contribuir para o enriquecimento e valorização do túnel arbóreo existente, evidencia a incapacidade e a inconsistência da IP na gestão do arvoredo das bermas das estradas. 

Na área do Túnel Arbóreo da Senhora da Luz observa-se a regeneração natural de carvalhos e sobreiros e de algumas espécies  arbustivas, como pilriteiros e adernos de folhas largas que, com  uma intervenção mínima, de apenas o corte de silvas e a poda de formação de alguns indivíduos, poderia assegurar a  continuidade e valorização do património arbóreo existente.

Não basta plantar, se o objetivo for obter árvores para o futuro. É necessário escolher os locais e  a época adequados, preparar o solo e fazer o acompanhamento durante os primeiros anos. Para isso é necessária vontade e competência.

17 de junho de 2024

Choupos, plátanos, pinheiros: combustível para a IP

Nas bermas da estrada nacional 243, no troço que liga Chamusca e Foros do Arrão, no distrito de Santarém, foram observadas uma série de marcações de árvores e avisos sobre os "trabalhos de limpeza de combustível ".

Os avisos são de responsabilidade da Infraestruturas de Portugal  e as marcações nas árvores consistem num simples risco horizontal, feito com um spray cor de laranja. Ao longo do trajeto são pelo menos 17 árvores marcadas - choupos brancos, plátanos e pinheiros mansos, com pelo menos mais de 1 metro de perímetro à altura do peito (PAP).

O caso mais exemplar, é um choupo branco, já com um porte considerável, com cerca de 2,38 de PAP, não sendo observável  qualquer tipo de problema sanitário, tendo a maior parte da sua copa projetada fora da faixa de rodagem.

É uma árvore bastante elegante localizada numa área relativamente húmida, entre uma zona agrícola com arrozais e uma zona florestal de montado (39°19'37.1"N 8°27'52.8"W).

Será que para a IP este choupo é apenas "combustível" que pode arder a qualquer momento?  

7 de maio de 2024

Carta aberta ao presidente da Câmara Municipal de Rio Maior

Mais Ribatejo publica a carta aberta, dirigida pelo Folhas Erguidas, ao presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, na sequência dos últimos abates de árvores verificados na EN 114, na localidade de Boiças.

"Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior,

O Grupo de Trabalho Folhas Erguidas lamenta o corte abusivo dos cedros do Buçaco na aldeia de Boiças, em ambiente urbano, pela empresa Infra-Estruturas de Portugal (IP), assim como a incapacidade/ineficácia da Câmara Municipal de Rio Maior em preservar este património público, tal como foi acontecendo ao longo da EN 114, entre a ligação para o Cartaxo e a cidade de Rio Maior.

Os cedros em causa, estão ali desde a construção da estrada, plantados pelo Estado (possivelmente ainda no tempo da Monarquia), como enquadramento paisagístico e valorização da via. Não são propriedade da IP, mas património público do nosso concelho! ..."  Continuar a ler

2 de maio de 2024

Árvores nas bermas das estradas: porque teimamos em nos manter na cauda da Europa?

Publicado hoje no Mais Ribatejo:

Árvores nas bermas das estradas: porque teimamos em nos manter na cauda da Europa?
A empresa pública Infra Estruturas de Portugal (IP), assumiu, nos últimos anos, um frenesim louco contra as árvores ao longo das estradas nacionais. Umas vezes, as razões são imputadas à segurança rodoviária, porque as árvores estão ali à mercê dos carros; outras vezes, são as faixas de gestão de combustíveis que justificam os abates. A IP, ao seu jeito, vai confundido gestão das faixas de combustível com abates rasos de árvores, como se as ignições acontecessem no cimo das copas !…


A nova versão para o abate é mais sofisticada, burilada e com o toque pseudo-científico, aliado às consequências das alterações climáticas: segundo a IP, as arvores estão sujeitas a fenómenos meteorológicos extremos!…  Continuar a ler

1 de maio de 2024

As árvores na comunicação social

Folhas Erguidas tem vindo a fazer o levantamento dos artigos da comunicação social sobre o abate indiscriminado de árvores e a problemática das árvores das bermas das estradas. Deste levantamento constam o título do artigo, a estrada e região do país e a identificação do órgão de comunicação com ligação ao conteúdo. 


O acesso a esses artigos faz-se do separador NA COMUNICAÇÃO SOCIAL existente na página inicial deste blogue.

14 de abril de 2024

No IC 2 há três anos...

Em outubro de 2020 O Público noticiava a razia que estava a acontecer no IC 2.

"Este troço do IC2 estende-se por 20 quilómetros e era conhecido pela sua beleza paisagística devido a estas árvores centenárias, que também desempenham um importante papel económico, enquanto produtoras de pinhas e pinhões, e produtoras de pólen para a polinização de pinheiros mansos mais jovens,".

"Centenas de pinheiros mansos que ladeavam o troço do IC 2 (antiga Estrada Nacional 1) compreendido entre Ota e a zona de Alcoentre têm vindo a ser abatidos, nos últimos três meses, no âmbito de uma operação desenvolvida pela Infraestruturas de Portugal (IP). Utentes daquela via principal lamentam o “crime ambiental” que está a ser cometido. A IP justifica, em resposta ao PÚBLICO, que está a cumprir a nova legislação de defesa da floresta contra incêndio." Ler artigo