22 de janeiro de 2026

As árvores - o bode expiatório da segurança rodoviária

De acordo com o Canal Alentejo, a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal “enviou logo no início do seu mandato dois ofícios ao presidente da Infraestruturas de Portugal, solicitando intervenções urgentes para reforçar a segurança nas estradas nacionais que atravessam o concelho”, alertando para algumas situações a corrigir, entre outras o risco de queda de árvores na  EN5-2, Alcácer do Sal–Torrão.

Foto de Canal Alentejo

Ainda segundo o artigo citado, pouco tempo após o envio dos ofícios, a IP iniciou o corte das árvores que representariam maior risco.

O alerta autárquico justificar-se-á, pois as árvores das bermas das estradas exigem vigilância e manutenção de forma a garantir a segurança de pessoas e bens, tarefas que raramente são realizadas.

Não cremos, contudo, que as árvores constituam o principal fator de risco nas estradas; o seu abate surge antes como uma medida de grande visibilidade, adotada sobretudo por implicar custos muito inferiores aos da necessária manutenção e conservação das vias.

Apesar de não termos dados estatísticos para o comprovar, é provável que o aumento da sinistralidade rodoviária nas estradas de Alcácer do Sal se deva principalmente ao volume de tráfego, ao estado das vias e ao comportamento inadequado por parte dos condutores, como o excesso de velocidade e o desrespeito das regras de condução.

Segundo o relatório de sinistralidade rodoviária de 2024, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, dos 38.037 acidentes verificados, 53,6% corresponderam a colisões e 41,5% a despistes, registando-se um total de 477 vítimas mortais, 2.756 feridos graves.

Perante estes valores de sinistralidade, seria importante que, quer as autarquias, quer a Infraestruturas de Portugal, adotassem medidas relacionadas com o estado de conservação das vias, de forma a responder ao aumento do tráfego rodoviário, e assumissem, de modo sério e proativo, a realização de campanhas de prevenção da sinistralidade rodoviária.

A prevenção rodoviária não se faz apenas com abate de árvores.

14 de janeiro de 2026

2026 começou mal para a região de Sintra

Foi notícia recente em diversos meios de comunicação social a contestação aos abates de plátanos em Galamares, na berma da EN 247, levados a cabo pela Infraestruturas de Portugal. Moradores e associações locais mobilizaram-se para tentar pôr cobro a estes abates e uma Providência Cautelar terá sido apresentada.

Imagem: Associação Finis Terrae 
Como se não chegasse já o prejuízo causado pelo corte dos plátanos, a Câmara Municipal de Sintra aproveitou a ocasião para também “limpar a vegetação em torno do Elétrico de Sintra”…

Estas e outas notícias em AS ÁRVORES DAS BERMAS DAS ESTRADAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

7 de janeiro de 2026

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XV

Perto de Brotas, em Mora, ao quilómetro 490 da estrada EN 2, há um grande sobreiro (Quercus suber), que se destaca pelo porte, (PAP 4,28 m e PB 3,78 m), e arquitetura da copa. Verifica-se que apesar da sua idade avançada, esta árvore ainda se encontra em produção, tendo tido a última extração de cortiça em 2021, conforme indica o número pintado no tronco.

Reconhecendo-se a importância de combater o hábito recorrente de abandonar lixo nas bermas das estradas, regista-se o mau gosto da colocação de um contentor do lixo debaixo deste grande sobreiro, parece-nos que esta solução, embora funcional, desvaloriza o enquadramento natural e paisagístico deste sobreiro, cuja beleza e singularidade ficam comprometidas.
 

19 de dezembro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XIV

 Ao quilómetro 96 da EN 118, no concelho da Chamusca, destacam-se dois eucaliptos monumentais, um com 6 m e o outro com 7, 6 m de PAP, (perímetro à altura do peito, a 1,3 m). Estas grandes árvores abrigam mais de uma dezena de ninhos de cegonha-branca, funcionando como autênticos blocos residenciais para a espécie.


De acordo com o Regulamento de Gestão do Arvoredo do Município da Chamusca - anexo 1, um desses indivíduos, da espécie Eucaliptus camaldulensis, está classificado como Árvore de Interesse Público desde 1997. Dado a Base de Dados do Arvoredo de Interesse Público, da responsabilidade do ICNF, não se encontrar acessível, é impossível determinar qual o exemplar classificado com base na escassa informação disponível.

Atendendo ao valor patrimonial destas árvores, ambas deveriam ter o estatuto de interesse público e ser alvo de monitorizações regulares do seu estado biomecânico e sanitário, assim como de vigilância dos ninhos, de modo a minimizar eventuais riscos para a segurança rodoviária, associados à presença de árvores e ninhos na berma da estrada.

5 de dezembro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais XIII

No km 8 da EN251-1, na estrada Vendas Novas – Canha, no município do Montijo, podemos encontrar uma monumental azinheira (Quercus rotundifolia).


Esta árvore de grande porte é uma das maiores azinheiras que nos foi possível observar no nosso pais.

Tem um perímetro de base (PB) de 5,64 metros, medido em 2021, apresentando um tumor lenhoso à altura do peito, provavelmente causado por um distúrbio hormonal no crescimento causado por bactéria, vírus, fungo ou inseto.

Um característica interessante desta azinheira é a abundância de musgos e de umbigo-de-vénus (Umbilicus rupestris) no tronco, sobretudo em outonos e invernos chuvosos , criando deste modo um micro habitat importante do ponto de vista ecológico.

26 de novembro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (XII)

O carvalho-cerquinho (Quercus faginea) localizado na EN 113, no Km 42, em Carregueiros, é uma das quatro árvores classificadas de interesse público, no município de Tomar.

Carvalho monumental com  3,5 m de perímetro à altura do peito

Este carvalho, de acordo com o despacho de classificação do ICNF, de outubro de 2021, “destaca-se na paisagem pela sua imponência e forma tortuosa do tronco, formando uma bonita moldura decorativa e cenográfica", apresentando uma “grande dimensão para a espécie” – 3.80 m de perímetro na base e 3.50 m de perímetro altura do peito – cumpre com os parâmetros de apreciação monumentalidade previstos para a espécie, PB 3.00 m e PAP 2.50 m. 

Além deste carvalho, ao longo do troço da EN113 que liga Tomar a Leiria, existem outros carvalhos que deveriam merecer por parte do gestor das estradas nacionais, a IP, uma especial atenção que concilie a segurança rodoviária e o interesse patrimonial, ecológico e paisagístico, destas árvores.

O carvalho de Carregueiros pela sua importância é considerado um dos embaixadores da espécie Q. faginea (ver artigo). 

22 de outubro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (XI)

Ao longo da emblemática EN2 que atravessa o país de Norte a Sul, encontram-se inúmeras grandes árvores cuja preservação, por motivos ambientais e paisagísticos, poderia acrescentar valor a esta estrada que se quer património.

Apresentamos alguns exemplos:

  •  No troço entre o Reguengo e Escoural, Montemor-o-Novo, em área classificada de Rede Natura 2000, na serra do Monfurado, entre sobreiros e azinheiras, as espécies dominantes, encontram-se alguns indivíduos dispersos de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Destacamos alguns, de grande porte, destas duas espécies de carvalhos nativos de Portugal:

- Carvalho-cerquinho, km 527, com PAP (perímetro altura do peito) de 2,53 m e PB (perímetro de base) de 2,87 m.

-Carvalho-cerquinho, km 528, com PAP de 2,28 m e PB de 2,70 m

-Carvalho-negral, km 528, com PAP de  1,78 m e PB de 2,40 m

-Carvalho-negral, Km 528, bifurcado com dois troncos, com PAP de 1,41 m e 1,53 m e PB de 3,35 m

  • No município de Abrantes, perto de Arreciadas, junto à ponte que atravessa o rio Torto, um afluente da margem esquerda Tejo, ao km 409, encontra-se grande choupo (Populus nigra), com PAP de 3,74 m e PB de 4,1. Destaca-se o interessante enquadramento paisagístico de ambas as margens deste ponto da estrada, ladeada por freixos, sobreiros e amieiros de portes consideráveis. 

14 de outubro de 2025

As grandes árvores das nossas estradas nacionais (X)

O carvalho negral (Quercus pyrenaica)da estrada Vendas Novas - Canha, EN251-1, a que se refere a publicação deste bloguede Outubro de 2024, está a salvo da sanha arboricida da Infraestruturas de Portugal. É, pelo menos, essa a informação que a IP nos remeteu quando questionada sobre a possibilidade de a pretenderem abater - "..não se encontra prevista qualquer intervenção na árvore em causa. Desconhecemos quem terá feito a marcação na árvore e porque motivo o terá feito.".

Provavelmente um dos últimos carvalhos-negrais adultos
sobreviventes no distrito de Setúbal

Acresce ao porte significativo desta árvore - perímetros, de base e á altura do peito, de aproximadamente 2,5 metros - a sua raridade no distrito de Setúbal. Este carvalho-negral é provavelmente um dos últimos indivíduos adultos sobreviventes de uma distribuição geográfica mais alargada da espécie na região, o que reforça a necessidade da sua monitorização e preservação.